O lançamento do novo Iphone a US$199 vem gerando um bafafá enorme por aí. Estão falando até que o Iphone será a nova plataforma móvel!
Mas vamos pensar direito nisso aqui. Um produto apple é diferenciação, estilo, status. A qualidade e recursos do produto são apenas uma base para justificar racionalmente uma ação emocional: a compra de um Iphone. Ninguém comprou o Iphone exatamente por causa de seus recursos e design, mas todo mundo justificou com isso. Não tinha nem 3G, não aceita SDs e vendeu igual água. É diferenciação, estilo, status.
Um Iphone a US$199 não está indo diretamente contra isso ? É massificação, padronização. Daqui a algum tempo, classe C e D estarão com Iphones na mão. As pretensões de torna-lo um produto extremamente popular fazem sentido ? É possível, realmente, alguém se tornar o “Windows” dos celulares ?
Não estou fazendo previsões. É difícil e pretencioso prever o futuro. Estou observando o presente.
CEO: “Vamos usar nossa base de dados e integrar com a base de 1 milhão de usuários do XXX, capturar essa oportunidade e gerar milhões!!! Olha que incrível sinergia!! Sucesso!!”
CEO: “Não importa, se 10% aderirem já seremos ricos.”
Criança: “Acho que nao é bem assim. Não é tão fácil assim. Nossos usuários precisam disso ?”
CEO: “Não importa, se 5% aderirem já seremos ricos!!”
Resultado: FAIL!
Parece ridículo, mas esse erro básico acontece todos os dias, em todos os lugares. É o jeito fácil de (não) fazer negócios. Pensar em “parcerias estratégicas” é mais fácil do que pensar em posicionamento e inovação.
Há algo de errado com a blogosfera brasileira. A recente notoriedade que a blogosfera vem recebendo tem gerado algumas consequências interessantes. Vou citar rapidamente 4 delas:
A primeira é nítida queda da qualidade dos textos. Além disso, muitos bons blogueiros pararam de escrever. Os textos mais interessantes têm sido escritos por blogueiros “não famosos”.
A segunda é o bombardeamento de “posts pagos” e publicidade, muitoscom resumos de eventos ou coisas parecidas, algumas vezes sem ligação nenhuma com o público do blog. [UPDATE] Recentemente, essa campanha veiculada no Brainstorm #9, dá sinais de que estamos chegando e passando do limite aceitável entre conteúdo e publicidade.
A terceira é o estreitamento do relacionamento entre os blogueiros, gerado pelos eventos presenciais e twitter, e que acabam convivendo com as mesmas informações e tendem a ter um mesmo ponto de vista. Enfim, acabam agindo em grupo.
A quarta é uma síndrome da grande mídia que começa a aparecer de modo geral. Agindo em grupo, parte da blogosfera acredita que pode determinar alguns caminhos que serão seguidos por outros milhares de usuários.
Pelo que tenho observado, o twitter finalmente está chegando nas massas. Entretanto, acho que esse caminho não será tão fácil como foi a adoção pelos early adopters, já que assim como a tecnologia de feeds (rss e etc), ele não é tão abrangente e útil para as massas. Além disso, enfrentará concorrência indireta de comunidades virtuais como orkut e facebook, que aos poucos vêm implementando o conceito de assinaturas e atualizações.
Minha aposta continua sendo que ele não será um fenômeno nas proporções de myspace e facebook.
Quando explicava as pessoas sobre o Twitter, sempre ouvia afirmações do tipo “que coisa inútil”, “essas pessoas não têm o que fazer?”. Era um pequeno esforço para explicar que sim, o Twitter poderia ser usado para fins mais produtivos do que simplesmente dizer o que se está fazendo no momento. Até escrevi um artigo no ano passado defendendo usos produtivos do twitter. Entretanto, assim como aconteceu no orkut, as mesmas pessoas que estavam utilizando o twitter de modo produtivo e informativo estão agora utilizando o serviço de forma mais pessoal, de entretenimento, dizendo o que estão comendo, avisando que acordaram mau humorados, e coisas desse tipo, sem muita relevância aos contatos não muito próximos.
Não sou contra a utilização do serviço como entretenimento e convívio social, acho que para grupos de amigos próximos funciona muito bem, estou observando que está acontecendo exatamente o que aconteceu com o Orkut. Em seu início, permitia uma troca de conhecimento maior e, com o tempo, esse aspecto foi sufocado pelo entretenimento e joguinhos. O Facebook também. Noise.
O fato é que algumas baboseiras estão sujando as informações realmente relevantes do Twitter. Embora eu tenha a opção de simplesmente parar de assinar algumas pessoas, isso pode ser inviável a partir do momento que esse comportamento se torne global dentro do site. Além disso, dentro de tanto barulho, pode haver alguma informação interessante que eu esteja perdendo.
Precisamos já, todos, de alguma coisa que transforme todo esse barulho(noise) em informação relevante (signal).
Continuo no Twitter, mas minhas expectativas já são outras.
Em pesquisa divulgada pela Edelman, o Edelman Trust Barometer, com pessoas de 35-64 anos, em 18 países mostra mais uma vez que a influência de opinião sobre uma empresa/produto se dá muito mais por pessoas próximas e não tanto por pessoas influentes. Por esse motivo, os blogs aparecem com pouca influência na lista.
Talvez, se a pesquisa focasse em um público mais jovem, o resultado seria diferente.
Assim como um jogador de poker, nenhum empreendedor gosta de dizer que seu sucesso depende da sorte. Realmente, o empreendedorismo, assim como o Poker, está longe de ser um jogo de azar. Mas não dá para ignorar o peso da sorte. Vou explicar.
Sorte em um empreendimento é estar no mercado correto na hora certa. A partir daí, um mínimo de competência de gestão pode transformar o negócio em um sucesso mundial. Gosto de considerar a Microsoft um caso típico desse fato, onde uma parceria inteligente com a IBM (mercado certo, na hora certa) e uma boa gestão seguinte fez a empresa se tornar a gigante de hoje. Mas existiu, de fato, empreendedorismo, inovação e reinvenção nesses mais de 20 anos de empresa ? Então poderia alguém, de uma hora para outra, sem perfil necessariamente inovador, montar um pequeno negócio despretencioso e se tornar um gigante mundial ? Sim, essa pessoa pode estar no mercado correto na hora correta sem saber.
Mas onde entra o espírito de inovação, empreendedorismo nessa história? Simples: pessoas com esse perfil conseguem captar com mais facilidade esses mercados e momentos. Conseguem jogar além da sorte, encontrando oportunidades onde a maioria das pessoas não encontra. Muitas vezes erram e por isso vemos todos os dias pessoas incríveis levando negócios nem tão promissores. Mas essa capacidade tem muito valor.
E tem gente que acerta direto. Steve jobs fez isso várias vezes na Apple. Niklas Zennström, do KaZaA, Skype e cia, também (lembrança do Diego). Evan Williams criou o Blogger, vendeu, criou o Odeo, se deu mal, criou o Twitter, sucesso de novo.
Muitosefala, em determinados nichos, do Twitter como a nova sensação do momento. Realmente, o twitter é fantástico, principalmente por fazer tudo o que faz em uma única tela, com posts de 140 caracteres. É um tiro certeiro, com ótima implementação. Pena que nunca será um Facebook, Myspace, etc…
É simples: ele não é tao abrangente como uma comunidade virtual generalista. Não estou falando da competência dos fundadores de fazer algo abrangente, mas sim que o conceito da ferramenta não permite.
O twitter é bom para pequenos grupos de amigos jovens que sempre mantém contato e profissionais de comunicação. Para outros tipos de relações, as comunidades virtuais generalistas são melhores. Não faz sentido manter um grau tão grande de conexão, atenção e interação com amigos que não sejam próximos, o que restringe bastante a abrangência da ferramenta.
Então, não dá para falar que ele baterá as atuais comunidades virtuais. Nem hoje, nem nunca.
A possibilidade de inserir aplicações sociais no seu perfil do Facebook é fantástica. Muitas possibilidades se abrem e um novo paradigma começa a ser criado. Mas tudo tem seu preço. A complexidade tem seu preço.
As aplicações do Facebook, em sua grande maioria de carácter lúdico competem diretamente com aspectos sociais do site (scraps, fotos e vídeos). Nas atualizações da home, por exemplo, milhares aplicações de jogos competem diretamente e de igual para igual com meia dúzia relacionadas diretamente a scraps e fotos, o coração da socialização em redes sociais. Não era de se esperar menos do que a retração da socialização no Facebook. Os joguinhos matam a socialização do Facebook. O resultado é que o Facebook não é tão bom para se socializar online, como são o Orkut e o Myspace.
Não estou dizendo que esse mercado lúdico não seja interessante, é enorme, mas é muito mais frágil que o mercado de socialização. Todo mundo precisa de socialização em um nível mais básico do que as brincadeiras e jogos.
Acho que é possível, dentro de algum limite, ser complexo e parecer simples o suficiente. Veja o Microsoft Word, por exemplo, com milhares de funcionalidades ainda consegue manter o software utilizável por uma pessoa que quer fazer um simples texto. No Facebook quem quer apenas socializar, tem dificuldades. Espero que com o OpenSocial, o Orkut não siga o mesmo caminho…
Agora um vídeo interessante que está rolando por ai …
Esse é um blog de idéias práticas, rápidas. Por muitas vezes as opiniões aqui descritas poderão parecer extremistas e fora do senso comum. Alguns dirão que não se passam de análises e insights superficiais. Porém essa é a maneira que escolhi para deixar meus recados práticos sem aquela conversa fiada de "considerar todos os casos e exceções", que sempre nos leva a discussões acadêmicas sem fim. Para muitas situações, o que falo aqui simplesmente não se aplica e cabe a quem lê perceber isso.
Simples assim.
Autor
Renato Shirakashi, empreendedor imerso no mundo da web 2.0, de São Paulo, Brasil.